Se você não tem noção de como é a vida de uma garota que já tem filho, a Atrê mostra pra você. Aviso: não é nada fácil!

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

Pode parecer difícil de acreditar, mas a gravidez não é uma coisa que acontece só com as outras meninas. Basta transar uma única vez sem proteção e você já está correndo risco. E uma vez grávida, a responsabilidade de cuidar do filho é para sempre. E aí, adeus baladas, festas e curtição... É papo sério! 

Conheça a história da Marcela* e da Gabriela*, que ficaram grávidas na adolescência e passaram por grandes dificuldades para conseguir cuidar dos seus filhos.

“Meu namorado sumiu no mundo e meu pai ficou sem falar comigo. Amamento meu filho no intervalo do colégio”.
A Marcela*, de 16 anos, estava namorando há dois meses quando resolveu transar. Na hora, acabou ficando com vergonha de pedir para o garoto usar camisinha e simplesmente deixou acontecer. Tudo o que ela não esperava era que, por conta desse único descuido, toda a sua vida fosse mudar tanto e tão de repente. “Minha menstruação atrasou pela primeira vez e fiquei apavorada. Tentei esconder, mas minha mãe percebeu e, desconfiada, me levou para fazer alguns testes. Logo a gravidez foi confirmada”, conta.

O primeiro baque veio quando ela deu a notícia ao namorado. Ele queria que ela abortasse, disse que não ia assumir a criança e desapareceu. Nem parecia o mesmo menino romântico por quem ela tinha se apaixonado! Assim, a Má se viu sozinha para enfrentar o mundo. “Meu pai ficou sem falar comigo e, em casa, só uma irmã e a minha mãe me ajudaram no começo. Na rua, muita gente me olhava torto, porque me achavam muito nova para ser mãe e até para transar”, conta. Com o tempo, e a barriga crescendo, o coração dos parentes amoleceu e ela se sentiu mais acolhida. O que não significa que as coisas ficaram mais fáceis. Com a evolução da gravidez, ela já não conseguia ir às aulas, fazer todos os trabalhos e acabou perdendo o ano.

A chegada do bebê também fez com que ela abrisse mão das coisas boas da vida de adolescente, como as baladas com a turma, os passeios, a diversão. Agora ela dedica 100% do seu tempo livre ao baby: troca fralda, dá papinha, acorda de noite pra amamentar. E insistiu nos estudos. “Estou estudando no período da manhã e todos os dias, na hora do intervalo, minha mãe leva o meu filho ao colégio para eu amamentar”, conta Marcela, que hoje luta para recuperar o tempo perdido. “Quero terminar meus estudos e começar a trabalhar. É claro que eu amo meu filho, mas, se pudesse voltar no tempo, teria o bebê só depois de estudar, trabalhar e casar”, conta.

“Fui muito humilhada e pediram até teste de DNA do meu bebê. Meus amigos me abandonaram completamente!”
Outra que teve um baby antes da hora foi a Gabriela*, de 19 anos. Na época, ela até tomava pílula anticoncepcional, mas deu uma vacilada ao trocar de medicamento. “A médica disse que, nos primeiros dias, era melhor eu usar camisinha junto, para não correr riscos. Achei que era exagero dela, não dei muita atenção”. Por isso, ela nem chegou a pedir ao namorado para usar o preservativo, já que ele não gostava da coisa. “Ele dizia que machucava e que o sexo não era prazeroso quando a gente usava camisinha. Eu fiz o que fiz pensando em agradá-lo”, confessa.

Daí, a menstruação da Gabi atrasou e ela comprou um teste de farmácia que deu positivo e, depois, correu fazer o exame de sangue, que confirmou que um bebê estava a caminho! O namorado dela, por quem a Gabi tinha tanto carinho, acabou humilhando a garota sem dó, disse que o filho não era dele, que não ia assumir e pediu que ela escolhesse entre ele e o bebê. E o baphão não acabou por aí. Os pais do garoto chegaram a pedir um exame de DNA! A família da Gabi, por outro lado, a apoiou. Mas foram os únicos. Os “amigos” dela sumiram do mapa. “Minha vida mudou muito. Parei de estudar e de sair para os lugares que eu gostava. No meio do ano quero ver se volto pra escola e faço faculdade no ano que vem”, planeja, sabendo que não vai ser fácil conciliar a vida de mãe com os compromissos do colégio. “É muito complicado criar um filho com a minha idade, nunca imaginei que fosse tanto. Se eu soubesse, teria me protegido de todas as formas”, conta.

*Os nomes foram trocados para preservar a identidade das entrevistadas.

Se você tem alguma dúvida sobre como se prevenir e não passar pela mesma situação da Má e da Gabi, confira as perguntas que a Atrê, com ajuda de especialistas, respondeu sobre o assunto aqui.