Vem cá saber tudo sobre namoro: sentimentos (como lidar com tantos?), partes boas e chatas, pressões, dicas de especialistas de A a Z e o que esperar de um relacionamento tão bom e complexo ao mesmo tempo!

Por Veridiana Mercatelli | Fotos: Shutterstock

De A a Z: tudo que você precisa saber sobre namoro

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Início de namoro é sempre aquela mistura intensa de sensações: alegria, paixão, ciúme e até medo de perder quem a gente gosta. E tudo fica ainda mais confuso quando se trata do primeiro amor. Sem experiências – só com base no que você já ouviu falar –, é comum se sentir meio perdida, sem saber se dá para confiar nos próprios instintos. Se é o que anda acontecendo por aí, se liga nesta matéria e tire todas as suas dúvidas agora, de A a Z!

Amor

Por que não começar com a palavra mais linda do nosso idioma? Sem amor, namoro não é bom. Não é nem namoro, né? Mas o que fazer quando você ouve – ou simplesmente acredita – que precisa dar uma ~prova~ de amor a alguém? A gente responde de cara: prova de amor de verdade é tratar o outro com carinho e respeito. Não existe outra. Ciúme não é prova de amor, declarações melosas em redes sociais também não. Transar com alguém sem realmente querer e se sentir preparada, menos ainda! #ficaadica

Beijo

Fala sério: poucas coisas (ou nenhuma) são melhores do que beijar. Mas você já notou que muitos casais, que antes não desgrudavam a boca um do outro, acabam se beijando menos com o passar do tempo? E não deveriam! Além de ser uma troca de carinho, estudos sugerem que o beijo faz superbem à saúde, pois combate o estresse, queima calorias (bora “eliminar” aquela sobremesa lindamente?) e até reduz sintomas de alergia. Um pequeno estudo feito no Japão com alguns casais mostrou que os que se beijaram por 30 minutos diminuíram o nível de uma proteína que desencadeia sintomas de alergia, como espirros. Bota a rinite pra correr!



Ciúme

Já dissemos, mas não custa lembrar: ciúme não é “prova de amor”. Ao contrário, ele pode ser bem prejudicial. Segundo o psicólogo clínico e coach de casais João Alexandre Borba, quando a gente sente e demonstra ciúme, dá muita segurança e poder para a outra pessoa, e isso desequilibra o relacionamento. Se seu namorado é ciumento, em vez de ficar feliz e segura em cima da dor dele (porque ciúme dói pra caramba!), é melhor conversar para saber por que ele está assim. “É preciso ter uma dose de segurança dos dois lados para fazer uma relação funcionar”, avisa. Agora, se é você quem está com ciúme, vale pensar qual é a causa disso e conversar com ele. Se vir que não tem nenhum motivo concreto e que o sentimento pode ser fruto da sua imaginação, por que não procurar a ajuda de um profissional? Não precisa comprar a ideia de que “você é ciumenta e pronto”. É possível, sim, se sentir mais segura e feliz, acredite!

D.R.

Você revira os olhos só de pensar em discutir a relação, achando tudo uma chatice? Pois não devia! D.R.s são importantes, pois ajudam a resolver o que não está legal. Claro, é preciso saber escutar, não só falar! Mas cuidado para não fazer da prática uma série de drama com 70 temporadas! “Discutir a relação é como afinar um instrumento. O que não é bom é remoer coisas o tempo inteiro. Ela tem que ter início, meio e fim”, diz o doutor João Alexandre. E ele dá dicas de como fazer: 1- esteja inteira na hora de conversar (ou seja, largue o celular!); 2- convide-o para falar sobre algo que esteja incomodando, assim, você já prepara o terreno; 3- acabou de discutir? Resolveu tudo? Então, deixe a história no passado e bola pra frente!

Expectativa

A gente sabe, é praticamente impossível não ter expectativa nenhuma com relação a outras pessoas. E em um namoro, então, isso é ainda mais frequente, estamos sempre esperando coisas como atenção exclusiva, que o outro saiba o que a gente quer, mais romantismo, e por aí vai. Se nada disso vier, rola uma decepção! Mas como controlar a expectativa? Segundo o psicólogo clínico Marcelo Quirino, que atende crianças e adolescentes, a ideia é que não se controle e, sim, que se tenha consciência de que se trata de uma expectativa (que pode não ser correspondida, a propósito). “Caso a adolescente perceba que está saindo dos limites, poderá conversar com uma amiga, com o namorado ou a namorada. Porém, é sempre bom saber que ninguém implanta desejo no outro”. Ou seja, o que você quer ou faz pode não ser o que o outro quer fazer. Esteja ligada nisso e as chances de se decepcionar serão bem menores.



Falta

Apostamos que você já ouviu que sentir saudade faz bem para o namoro. E é mesmo. “Sentir a falta do outro é bom, é sinal de que a pessoa está viva dentro de você”, diz o doutor João Alexandre. No entanto, é bom que a saudade seja algo natural, e não forçado, do tipo “Vamos ficar uma semana longe só pra sentirmos saudade?”. “Se chegar a este ponto, é porque o namoro desregulou e é preciso repensá-lo”, explica o psicólogo. #sinaldealerta

Galera

Vocês formam o tipo de casal que toda a turma “namora junto”? Há grandes riscos aí, miga. Pode até parecer engraçado no início, mas, com o tempo, isso vai irritar de verdade. Imagine você querendo resolver um problema íntimo do casal e um mooonte de gente dando palpite #grrr! Como evitar isso? “Não namorar em grupo, não permitir que fale do companheiro sem a presença dele. Essas são as principais recomendações para garantir a individualidade de vocês perante os amigos. O casal deve ter momentos junto à turma e outros sem ela”, aconselha o doutor Marcelo Quirino.

Honestidade

Pode até ser óbvio dizer que a honestidade é um dos segredos de sucesso dos casais felizes. Mas já parou para pensar quantas vezes não houve honestidade no seu namoro? Aquela história de dizer “sim” só pra agradar ao outro, quando na verdade, a gente queria dizer “não”. Ou fingir ser uma pessoa diferente do que se é na tentativa de conquistar alguém. O grande problema dessas mentirinhas é machucar a si mesma. Lembre-se: você só consegue ser honesta com o outro se for consigo antes de tudo.

Intenso

É seu primeiro namoro? Não estranhe se tudo o que você sentir for intenso demais! Pode assustar, claro, pois até então, você só conhecia este sentimento de filmes, livros e novelas. Mas é tudo real e a gente tende a se jogar de cabeça na primeira paixão. “O adolescente está em uma fase em que os hormônios estão a mil por hora, é a fase das grandes descobertas. Está experimentando o mundo com tudo”, diz o doutor João Alexandre Borba. Ele lembra que, apesar de muitas vezes quebrarem a cara, os jovens precisam viver esta fase, até para testar o que vai dar certo. Então, se for intenso, que seja! Não tenha medo do que está sentindo, nem pense se este vai ser o grande amor da sua vida ou não. Simplesmente viva!

Junto e misturado

Manter a individualidade é superimportante, mas não existem regras. Segundo o doutor João Alexandre, só vocês podem determinar o que a individualidade significa na vida do casal. Um bom jeito de medir isso é saber o que agride (ou não) o seu limite de privacidade. Por exemplo: não se sente confortável em dividir suas senhas (de e-mail, redes sociais...) com o namorado? Então, não dê! Se for ele quem não se sente confortável, não insista, nem veja como “um sinal de que ele a está traindo”. Agora, se vocês dois não vêm problema em dar a senha um para o outro, vão em frente! O importante é respeitar a sua própria vontade e a do outro.

Leveza

Namoro bom é namoro leve. Aquele em que a gente se diverte, acha fácil se apaixonar, suspira pelos cantos... Claro, isso não significa que as brigas não aconteçam, elas existem até entre os casais mais apaixonados do mundo. Mas os perrengues se resolvem e tudo volta ao normal. Agora, quando o namoro pesa, sufoca, prende e garante mais momentos tristes que felizes, está na hora de pensar: vale mesmo a pena continuar?

Machismo

Eis uma das grandes questões da humanidade: é mais fácil mudar a cabeça de um machista ou simplesmente trocar de namorado? Não é impossível fazer um cara com comportamento machista (que faz desde piadinhas idiotas a tratar as mulheres com menosprezo) enxergar que o que ele faz é péssimo. Mas a tarefa nem sempre é simples, precisa de muita conversa. “Para a menina modificar isso sozinha é mais difícil. Tem de ter muita paciência, pois, dependendo do grau de machismo, o garoto entende que se ele não for daquele jeito, a masculinidade dele está em perigo”, explica o doutor João Alexandre. Tentou fazê-lo mudar de ideia, mas ele continua igual e deixando você pra baixo? “Trocar de namorado pode ser a solução”, diz o doutor João Alexandre. Anotou?
 
Namoro em casa

Ainda não apresentou seu novo amor aos seus pais? Bem, só você sabe se vai querer fazer isso – e quando. Mas uma coisa é fato: se escolher levá-lo para conhecer a sua família, não custa nada avisar antes – tanto seus pais quanto o menino ou menina. Esses primeiros encontros com a família nem sempre são os mais confortáveis para todo mundo e pode ser ainda mais constrangedor se acontecerem assim, de surpresa. Não custa nada preparar o território antes, né? Mas e se os pais não forem muito a favor do namoro? “O mais importante é mostrar maturidade. Se a menina quer namorar, mas demonstra com seus comportamentos falta de responsabilidade com estudos, compromissos, relacionamento conturbado com pais e conflitos desnecessários, ela estará passando a mensagem de que é imatura, dando motivos para os pais controlarem o início do namoro”, explica o doutor Marcelo Quirino.



Outros

Comparar o namorado atual com o ex é furadíssima em todos os níveis. Ok, sabemos que é bem difícil não comparar, mas, se possível, que isso só fique na sua cabeça. Falar o que o antigo namorado fazia (de ruim ou de legal) pode não ter bom impacto no atual, então, para que trazer o passado para dentro do seu namoro? Vire a página! Você também não ia curtir ouvir as histórias da antiga namorada dele!

Paciência

Achou que só precisava dela enquanto espera em uma fila ou pelo resultado de um teste? Não. Todo relacionamento, sobretudo o namoro, requer bastante paciência! Pensa só: você não tem aqueles dias em que, sem perceber, soltou patadas para todos os lados? Ou, então, em que está deprê e não quer falar com ninguém? Pois é. Namorados também têm seus dias ruins e nem sempre possuem um motivo concreto para isso. O jeito é respirar fundo, esperar a tempestade se acalmar para, depois, conversar de boa.

“Queridão”

Arrumar apelidinho para o namorado. Quem nunca? É delícia, sim, não importa o que os chatos pensem (“e se reclamar, ele vai ter dois apelidos!”). Mas se quiserem um conselho, mantenham os nomes fofos só entre vocês. Ou correm um grande risco de aturar a galera zoando forever! #haha

Respeito

Palavra-chave de qualquer namoro, ele é a base de tudo! É sempre bom ficar ligada se está havendo respeito da sua parte e da dele sobre as opiniões, gostos e vontades um do outro. Respeito também é fundamental até – e principalmente! – durante as brigas. Discutir com argumentos é uma coisa, partir para agressão de qualquer tipo, é outra.



Sexo

Ainda que ele possa fazer parte de um namoro, não significa que seja o namoro em si. Se você ainda não teve sua primeira vez e não se sente preparada para transar, converse com o garoto de boa. Só você saberá o momento certo. Não aceite nenhuma pressão neste sentido, porque o corpo é só seu. E o cara vai ter de entender isso, sim!

Tempo

Nem sempre os namoros duram o quanto a gente gostaria. Terminar uma história não é sinônimo de final infeliz. Pelo contrário. Significa o começo de outras maravilhosas, emocionantes, que vão fazer você se apaixonar de novo e de novo. Levou ou deu um fora? Comemore as novas chances que vêm por aí! <3

Urticária

É o que você sente só em pensar em compromisso? Então, este é um grande sinal de que você não está preparada para encarar um namoro, ainda que esteja muito a fim do garoto. E não se preocupe com as pressões que possam aparecer no caminho (as suas tias ainda não perguntam “onde está o namorado?” em cada reunião de família? Uma hora elas chegam lá!). A vida é sua e só você sabe quando está a fim e pronta para mudar seu status.

Vai bem

A gente quis saber o que era um namoro bom e saudável, na opinião dos especialistas. Segundo o doutor João Alexandre, é quando os dois estão crescendo juntos, um investe no outro e torce pelo crescimento dele. “Quando você percebe que um ajuda o outro a crescer, a parceria fica mais concreta. Não tem por que abandonar alguém que ajuda você a crescer e enfrentar os seus desafios. Esta é a essência da palavra companheirismo.”

WhatsApp

O app quebra um galhão pra tudo, até para dizer aquilo que a gente não tem coragem de falar pessoalmente. E tem se tornado cada vez mais popular para substituir conversas chatas, tipo terminar um namoro. Há quem se sinta mais segura dando um fora virtual, e até dá pra entender. Mas antes de apelar para o WhatsApp, vale a pena se perguntar: “E se fosse comigo? Será que eu não iria querer uma chance de falar também?”. Pense nisso!

Xiii

E o que fazer quando o namorado vem com uma ex – inconformada – de brinde? Antes de querer entrar em guerra com a garota, tente entender o que ela sente. Nem sempre as pessoas reagem bem com o fim de um namoro, e pode ser que ela realmente esteja sofrendo. Isso não significa, é claro, que a garota tenha o direito de interferir na sua vida ou de ofendê-la, por exemplo. O jeito, então, é deixar que ele resolva a situação com ela. Mas sem paranoia! Lembre-se, se ele está com você, e não com ela, existe um motivo. Com o tempo, ela encontra a própria felicidade e deixa vocês dois em paz! #tomara

Yay!

Vale comemorar cada aniversário de namoro, dia dos namorados, a vida... Aproveitem as chances para celebrar o amor, do jeito que vocês mais gostam. Se presentes caros e superproduções não fazem o estilo do casal, para que forçar a barra? Vale muito mais uma linda e sincera carta de amor (escrita à mão mesmo, acredite, isso é possível!) do que um presente que custou uma fortuna e foi comprado com má vontade. ;)

Zona de conforto

Se o relacionamento caiu na mesmice – a tão temida comodidade – e tudo está se tornando meio chato (sim, isso acontece com quase todo mundo alguma vez na vida!), façam algo diferente, que vai ser divertido e leve para vocês dois. É sempre bom para botar fogo no romance – no ótimo sentido, claro!


Quem deu as dicas: João Alexandre Borba, psicólogo clínico e coach de casais (http://joaoalexandreborba.com.br) e Marcelo Quirino, psicólogo clínico na clínica Viver Bem e no Centro de Referência e Tratamento da Criança e Adolescente, em Campos dos Goytacazes (RJ) (http://www.marceloquirino.com)