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A garota que morou cinco meses no Canadá

Leia a história da Ju, de 16 anos, que foi passar 5 meses no Canadá


Foto: Arquivo Pessoal

“É difícil colocar em palavras ou tentar fazer caber em uma página as incontáveis histórias que essa viagem me proporcionou. Tudo começou há pouco mais de um ano, quando meu irmão mais velho sugeriu que eu fizesse intercâmbio e realmente ir aprender um novo idioma. Na semana seguinte fui visitar uma agência especializada e me apaixonei de vez pela ideia. Já comecei a correr atrás de tudo: passaporte, vários formulários e toda a documentação que meu colégio daqui precisava fornecer. Logo soube que ficaria em Nanaimo, uma cidade com 83 mil habitantes na costa oeste do Canadá.

Os últimos meses de 2012 não pareciam suficientes: visto, malas, roupas, ler TUDO sobre intercâmbio e tentar me preparar para ficar cinco meses longe de tudo que eu tinha como meu. O dia que recebi o perfil da família foi quando realmente me dei conta que faltava pouco tempo para partir. A partir de fevereiro eu seria parte de uma família de três crianças – Catherine, de 6 anos, Elizabeth, de 5 anos, e Georgina, que hoje tem quase 7 meses, mas era recém-nascida quando cheguei. Meus hosts eram um casal jovem, Jordan e Virginia. Ah, e a casa também tinha um cachorro: um boxer chamado Rammie!

Despedi-me do Brasil em 1º de fevereiro. Chorei a noite anterior inteira, mas a despedida no aeroporto foi tranquila. Acho que ainda não tinha me dado conta de que só voltaria pra Porto Alegre depois de meses! Cheguei a São Paulo, agora oficialmente sozinha, e então me deparei com outros 40 jovens, a maioria de olhos inchados, tão nervosos quanto eu e na mesma situação.

Chegamos a Toronto, tivemos orientação do programa de intercâmbio e então mais um voo. Estava nervosa e já queria pegar um avião de volta para casa, mas nesse momento encontrei minha host mother, que me deu o abraço que me daria forças pra querer ficar. Minha nova família canadense era demais e eu me aproximei muito deles.

Os primeiros dias foram bem difíceis. Ninguém falava português além de mim, só alguns estudantes brasileiros na cidade. Tive que aprender a me virar. Ganhava carona todo dia de manhã pra escola e depois voltava de ônibus. Eu morava bem no início da cidade e do lado do maior shopping de lá. No início era bem frio, complicado de sair, e eu ainda não tinha feito muitos amigos. Ia pra escola, depois ia ao shopping para socializar um pouco e então pegar o segundo ônibus pra ir pra casa. Chegava perto das 16h e jantávamos mais ou menos uma hora depois disso. Era o tempo que eu tinha pra ligar pros amigos, postar fotos, manter todo mundo atualizado e ficar com a nova família. Conviver com minha host family ajudou bastante na prática do inglês. Nós conversávamos bastante e eles me corrigiam quando eu falava algo errado.

Frequentei uma escola pública canadense e fiz aulas bem diferentes. Durante a primeira metade do intercâmbio fiz as matérias que o MEC [o Ministério da Educação brasileiro] pede para validar o tempo que passei lá e assim poder terminar o ensino médio quando voltasse. Na segunda metade do período que passei no Canadá fiz outras aulas, como Foods and Nutrition (Culinária) e Physical Education (Educação Física), em que tive a oportunidade de jogar 14 modalidades diferentes, tipo softball, futebol americano e lacrosse.

Foram cinco meses inesquecíveis e as pessoas que eu conheci lá ficaram pra vida toda. Foi complicado voltar e eu sinto falta deles todos os dias. No fim das contas, a parte mais difícil foi dizer adeus ao Canadá e voltar para o Brasil.”



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