15 jan 2017

David Bowie: 1 Ano desde a morte de Ziggy Stardust

booowie

Dia 10 de janeiro em 2016 perdemos um artista incrível. Nesse dia Ziggy Stardust, Thin White Duke, Alladin Sane, Plastic Soul, Major Tom, morreram. David Bowie levou todos consigo quando nos deixou. Foi uma perda enorme, e mais de um ano depois, ainda lamentamos a morte desse grande ícone pop.

Não sei se estou falando com pessoas novas demais, mas já estou acostumada a me olharem esquisito toda vez que cito alguma música de David Jones, que como não queria ser confundido com outro cantor chamado Davy Jones se tornou David Bowie.

Se você é muito nova(o), ou simplesmente nunca ouviu nada muito mais “vintage” do quê Madonna, então provavelmente nem mesmo imagina quem é o camaleão do rock, nunca ouviu falar do Major Tom. Não imagina nada, nem mesmo sabe cantarolar ‘Starman’, mas não te culpo. Não é regra. Não é lei. Não são todos que se interessaram em prestar atenção em David Bowie.

Em 8 de janeiro, no ano de 1947, num hospital de Brixton veio ao mundo David Robert Jones. Ainda pequeno já se interessava por música, mas só após terminar o colégio começou a procura por meios de conseguir uma carreira musical prolifera.

Ainda como David Jones, entrou em 4 bandas diferentes (The Konrads, The King Bees, The Manish Boys e The Lower Third). Em todas elas acabou saindo ou por divergências criativas ou pelo fracasso da mesma. Após o término de seu contrato com seu empresário e quase desistir do pop, achou um novo representante e lançou um álbum homônimo, não obteve sucesso e não lançou mais nada por quase 2 anos.

Em 14 de novembro de 1969, Bowie conseguiu sucesso de verdade com um outro álbum homônimo, mas dessa vez com uma nova tracklist, e logo na primeira faixa, – Space Oddity -; conhecemos Major Tom. O single alcançou o top 5 das paradas britânicas. Nos EUA, o mesmo álbum foi lançado, mas com o título de ‘Man of Words/Man of Music’. Mais tarde, em 1972 foi relançado novamente, mas agora nomeado a partir da primeira faixa’Space Oddity’.

major tom

No fim vou criar uma playlist com todas as músicas citadas, e algumas outras, mas recomendo que ouçam toda a discografia citada, Bowie nunca é demais.

Em 4 de novembro, no outono inglês de 1970, lançou seu terceiro álbum de estúdio ‘The Man Who Sold the World’. Na época, Bowie estava cuidando de sua, até então, mulher Angie. De acordo com os artistas que trabalharam no álbum, sua contribuição para o álbum ocorreu em algumas faixas. As músicas tinham uma pegada mais heavy metal, seguindo a linha mainstream da década de 70, e se diferenciando da sonorização dos dois primeiros álbuns, que soavam mais como rock-folk ou pop-rock.

O disco teve duas capas diferentes, uma desenhada ao melhor estilo pop art, mas após analisar melhor decidiu refazer a capa e posou em sua casa sobre um divã, vestindo um “vestido masculino” feito de cetim azul e creme, começando a dar indícios de seus interesses por utilizar sua aparência andrógina.

The Man Who Sold the World foi lançado nos EUA com a capa original desenhada pelo artista Michael Weller, a onda extremamente conservadora americana achava ofensiva a ideia de um homem usando vestido, por isso a capa fotografada por Keith MacMillan foi utilizada somente no Reino Unido.

Em 17 de dezembro de 1971, no inverno rigoroso britânico, David Bowie lançou seu quarto álbum de estúdio ‘Hunky Dory’. O disco buscava a sonorização de Space Oddity, isto é, mais leve e suave, mas ainda forte o suficiente para ser interessante. O repertório memorável conta com as músicas ‘Changes’ e ‘Life On Mars’.

A arte da capa foi inspirada pelo livro fotográfico de Marlene Dietrich, que Bowie levara consigo para a sessão de fotos. Nela a androginia do cantor é explorada com mais afinco, dando ênfase no rosto pouco maquiado e os cabelos compridos.

Dia 16 de junho, no verão britânico de 1972, foi lançada uma das principais obras-primas de David Bowie ‘The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars’. Não se pode tentar explicar David Bowie sem falar do alien, promíscuo e levemente alterado pelas drogas mundanas, Ziggy Stardust, uma representação perfeita dos rock stars que chegavam ao status de estrela.

ziggy iggy

Ziggy foi um dos muitos personagens incorporados por David Bowie ao longo de toda sua carreira. A estória dele é, basicamente, a de um alienígena que caiu na Terra e perdeu tudo, menos o legado. Existe uma entrevista para a Rolling Stones onde Bowie conta uma estória mais detalhada sobre o personagem, mas é longa mesmo.

Enquanto fazia a turnê de seu disco, interpretava Ziggy e sua chegada à terra, e no último show da turnê, matou Ziggy tornando-o poeira espacial. Durante um show no Oxford Town Hall, Bowie foi ao extremo do personagem e se ajoelhou na frente do guitarrista Mick Ronson e o puxou com sua guitarra para cima de si. Com esse ato, David se sentiu pressionado a explicar o ocorrido e acabou se assumindo gay. Anos mais tarde, casado e com um filho, carregando essa alegação e as perguntas frequentes de fãs e jornalistas confusos, ele mudou sua fala e disse ser bissexual.

Existem boatos sobre um suposto relacionamento entre David Bowie e Mick Jagger, que foram confirmados pela mulher do mesmo, Angela Barnett.

O próximo álbum de estúdio de Bowie foi lançado em 13 de abril, numa primavera bonita em todo hemisfério norte, e se chamava Aladdin Sane. Olha, esse álbum é provavelmente o mais caricato e conhecido do artista. Você pode não conhecer por nome David Bowie, mas conhece seu personagem, por mais que não saiba, por mais que nem desconfie, você provavelmente já viu Aladdin Sane e gostou.

aladdin sane

Em Aladdin Sane, Bowie trouxe um som glam-rock mais sofisticado, com o auxílio de um piano abrindo o álbum, e o acompanhando o resto.  Na época, ele estava na onda rítmica do Rolling Stones, tanto que seu álbum buscou uma técnica de sonorização utilizada por eles, isto é, deixar a voz e os instrumentos no mesmo volume, e para enfatizar seu gosto por Rolling Stones, Bowie gravou um cover de ‘Let’s Spend The Night Together’ e a incluiu no álbum.

Aladdin Sane é uma alusão a “a lad insane” (um colega insano), e é considerado um dos melhores álbuns de rock do século XX, e apesar do tempo esse título ainda segue dele no século XXI. Tá pra nascer um artista capaz de se reinventar, criar personagens e crescer em si mesmo, compor, cantar, tocar, criar polêmicas e se livrar delas, inspirar e mostrar que não precisa seguir a todos para ser reconhecido.

Nos anos que se seguiram, Bowie lançou mais outros álbuns como: Pin Ups (1973), Diamond Dogs (1974), Young Americans (1975), Station to Station (1976), Low (1977), Heroes (1977), Lodger (1979), Scary Monsters(And Super Creeps) (1980), Let’s Dance (1983), Tonight (1984), Never Let Down (1987), Tin Machine (junto a um grupo de mesmo nome) (1989), Tin Machine II (ainda com o Tin Machine) (1991), Black Tie White Noise (1993), Outside (1995), Earthling (1997), Hours (1999), Heathen (2002), Reality (2003), The Next Day (2013).

O último álbum lançado por David Bowie foi Blackstar. Ele liberou as 7 faixas e o vídeo para 3 delas (Lazarus, Blackstar e o vídeo póstumo para I Can’t Give Everything Away) , no dia de seu aniversário em 2016, e dois dias antes de sua morte ocasionada por um câncer no fígado, já em estado avançado.

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David Bowie não somente contribuiu para o mundo musical, mas se mostrou também um ótimo ator. Ele atuou em mais de 10 filmes enquanto gravava seus álbuns, videoclipes, fazia turnês e criava o filho Duncan Jones. As produções mais conhecidas são ‘Labyrinth’, ‘Basquiat’, ‘Hunger’ e ‘The Man Who Fell To Earth’.

Além de seus álbuns serem icônicos, ele ainda carregava consigo a imagem de alguém andrógino. Não sabe o quê é androginia? Uma pessoa andrógina é aquela que possui características culturalmente consideradas masculinas (andro) e femininas (gynes). David Bowie explorava sua androginia, no palco de suas turnês, ou até mesmo junto de Angie Barnett (sua ex-mulher).

Ziggy Stardust era como um ser mitológico, e Bowie nunca especificou o gênero do alienígena. Por isso foi um dos primeiros artistas a usar vestido curto durante um show, caracterizado como Ziggy ele trouxe para a cultura drag e pop um novo conceito para ser usado e seguido.

androgyne

Bowie mostrando suas lindas pernas e quebrando tabus, num vestido desenhado pelo estilista japonês Kansai Yamamoto

Kansai Yamamoto foi o estilista de Bowie durante toda a fase e shows do disco ‘The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars’. David se inspirou no teatro kabuki para criar a caracterização do personagem, já que em certa fase do teatro Kabuki, papéis femininos eram interpretados por homens, mas no começo mulheres faziam ambos os papéis, femininos e masculinos. Essa reflexão faz todo sentido com a reflexão de gênero gerada por Bowie em cima dele mesmo.

Kansai e Bowie dando toques finais em alguns dos figurinos da turnê 'Ziggy Stardust Tour'

Kansai e Bowie dando toques finais em alguns dos figurinos da turnê ‘Ziggy Stardust Tour’

 

Mais alguns dos figurinos de Bowie

Mais alguns dos figurinos de Bowie

 

Com a morte de Bowie perdemos um grande artista, uma pessoa que trabalhou e mostrou serviço do começo de sua carreira até o fim, de sua vida, mas não de seu legado.

Um ano atrás Bowie partiu e deixou para trás multidões de fãs, e material suficiente para inspirar próximas gerações a quebrarem tabus, saírem fora da caixa popular e se tornarem lendas. Ninguém  nunca será “o novo David Bowie”, pois ele foi único, e nunca perderá esse posto, mas com tanta coragem contida em cada uma de suas músicas, vídeos, ou aparições públicas, é uma personalidade para se inspirar.

Para finalizar… Controle de Solo para Major Tom, seu circuito pifou, mas ainda podemos te ouvir daqui. Nunca deixaremos de ouvir…

rip king

 

Bye, e até o próximo post :)

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Playlist: https://open.spotify.com/user/istudybullshit/playlist/21EKiNDsW3ggqH3NROyFZ1 ou se não funcionar, procure “Ground Control to Major Tom”.