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Você fica revolts sempre que seus pais mandam você lavar a louça enquanto o seu irmão joga videogame numa boa? Então, que tal ajudar a mudar essa realidade? Sim, você pode! Fique por dentro do que é o empoderamento das garotas e seja uma girl power de arrasar!


Saiba o que é empoderamento e seja uma girl power!
Ilustração: Jorge Bin

Parece brincadeira, mas, em pleno século 21, as mulheres ainda sofrem com uma série de injustiças simplesmente pelo fato de serem do sexo feminino. Pra você ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa realizada pela ONG Plan, que entrevistou garotas de 57 países, incluindo o Brasil, 81% das meninas arrumam a cama, enquanto apenas pouco mais de 11% dos irmãos realizam a mesma tarefa. E não para por aí, não! O mesmo estudo apontou que 76% das garotas ajudam em casa lavando a louça, enquanto apenas 12% dos irmãos colam a barriga na pia para realizar o serviço doméstico. Mas fique calma, girl! A boa notícia é que mudar esse cenário é possível (ufa!). Como? Aderindo de cabeça, corpo, alma e coração aos movimentos de empoderamento das mulheres.

Empodere uma garota! 

Assim como a palavra sugere, empoderar significa “dar poder a alguém”. Até aqui bem simples, né? Mas para você entender melhor, vamos usar a best como exemplo. Funciona mais ou menos assim: dar poder à amiga é o mesmo que dar voz aos sentimentos dela, apoiá-la e acreditar nela.

O resultado dessa atitude aparentemente banal pode ser gigantesco: toda a confiança que você depositou em sua best faz que ela se sinta mais forte para se aceitar e se amar (muito!) do jeitinho que é. “Empoderada, a garota tem a oportunidade de reconhecer que não precisa se encaixar em um padrão. Ela percebe que não existe o corpo ou a garota ideal, mas que pode ser como quiser”, explica Maynara Fanucci, idealizadora da campanha Empodere Duas Mulheres. E ainda tem mais: ao dar poder a uma amiga, você também sai ganhando, afinal, ouve a sua própria voz falando sobre a importância de se valorizar e se amar e acaba empoderando a si mesma!

O movimento de empoderamento das mulheres, que está se espalhando pelo mundo todo, tem muitas outras iniciativas interessantes. Segundo a psicóloga Marianna Romão, especialista em Mulheres, Gênero e Cidadania, ele envolve a luta pelo direito ao próprio corpo, por políticas de prevenção e punição à violência contra a mulher, pela igualdade de oportunidades, pela equiparação salarial, pela instauração de políticas educacionais de igualdade de gênero e de diversidade nas escolas de ensino médio e fundamental e muito mais. 

Adoramos (e apoiamos!) essa iniciativa! E vocês? 

Nas últimas semanas, vimos algumas notícias nada legais sobre o Biel. Precisamos falar por que não podemos concordar com as atitudes dele - mesmo se você for da família baladeira!

 


Por que não podemos concordar com a atitude do Biel

Foto: Rodrigo Takeshi

Ok, confessamos: as músicas do Biel nos conquistaram e, assim como as baladeiras, nós também já passamos dias com os hits do cantor na cabeça, que até já foi capa da Atrê. Porém, mesmo curtindo o trabalho dele, não podemos concordar com suas últimas atitudes.

O cantor foi denunciado por uma repórter do portal IG com a acusação de assédio sexual durante uma entrevista. Assim que o caso veio à tona, Biel negou as acusações e afirmou que tudo não passou de um mal-entendido. "O lobo mau será sempre o vilão se só escutarem a versão da chapeuzinho", escreveu ele no Instagram.

Ele também declarou que tudo foi falado em tom de brincadeira e que ele ainda é muito imaturo para ter atitudes consideradas machistas. “Não consigo entender como não levaram na brincadeira já que a gente tava se tratando de mim, né, cara que perde o amigo, mas não perde a piada. Machista? Nem homem me considero ainda pra ser prepotente ao ponto. Sou um menino, menino que brinca, menino sem papas na língua, menino que sorri”. 

Reprodução | Instagram

Mas a atitude do Biel não foi nada legal! Assim como o exemplo dado pelo próprio Biel, tanto a Chapéuzinho quanto a repórter foram vítimas de diferentes tipos de agressões. Não existem justificativas para a agressão física ou verbal, por isso, não podemos aceitar que tudo foi um mal-entendido.

A “brincadeira” nada mais é do que o assédio de uma forma disfarçada. E muitas mulheres são ofendidas e magoadas com comentários expressados por caras que consideram o assédio verbal como uma forma de brincadeira. Mas, não, isso não é uma brincadeira. E a gente não pode aceitar que esse tipo de coisa aconteça!

Depois de alguns dias, o cantor postou um vídeo pedindo desculpas pelo modo com que tratou a jornalista durante a entrevista e também se desculpando com todas as mulheres que se sentiram ofendidas com suas palavras e prometeu que isso não irá mais acontecer. Assista ao vídeo:

Esperamos que ele realmente tenha aprendido a lição, não é mesmo girls? E que esse tipo de comportamento não se repita, já que assédio não é brincadeira!

Já ouviu uma cantada e ficou vermelha? Ou chegou a se sentir mal por apostar em um look que chamava a atenção? Está na hora de mudar isso! O segredo é fazer o autor da cantada se sentir mal, em vez de você. Sim, tem como!

Especialistas ensinam como reagir a uma cantada 

(Foto: Shutterstock)

Se já é chato ouvir uma cantada vinda de um cara nada a ver, imagina ter de lidar com uma passada de mão ou outras situações pra lá de constrangedoras nessa mesma linha... A Caroline C., 21 anos, do Rio de Janeiro (RJ), passou por isso. No caminho para a escola, ela escolheu um assento no fim do ônibus e ao lado da janela. Distraída, a gata estava olhando a paisagem quando se deu conta de que um homem se sentou ao lado dela mesmo com o ônibus vazio. Estranho, mas ok. O que ela não esperava era a atitude que ele tomaria:

Ele começou a tentar puxar a minha saia. Entrei em desespero!”, lembra. “Como o ônibus estava passando perto de uma vila militar, fingi que o meu celular estava tocando e disse: ‘Pai, estou chegando. Você já saiu do quartel?’. Foi a primeira coisa que pensei”, conta Carol. Amedrontado, o espertinho parou de assediar a garota na hora. Mas a girl, que também não marca bobeira, achou melhor sair dali o mais rápido possível. “Pedi licença e desci no ponto seguinte, mesmo na metade do caminho”, diz. “Depois, comecei a chorar e fiquei me sentindo culpada por ter me sentado no último banco de um ônibus vazio”, desabafa.

 

Tudo tem limite!

Na balada também é possível frear o assédio. A Emanuela S., 19 anos, de Cumbe (SE), está aí para provar isso. A gata estava curtindo a noite quando um cara começou a falar gracinhas para ela e, de repente, meteu a mão onde não devia. “A minha vontade foi cair no choro, mas reagi. Disse que ia chamar a polícia e o cara acabou se desculpando”, lembra a garota que, na época, ficou supermal.

“Algumas pessoas disseram que eu mereci, pois estava com short curto. Mas cheguei à conclusão de que não importa o tamanho da roupa, enquanto houver homens machistas, isso sempre vai acontecer”, afirma Manu. Hoje, a gata não marca bobeira e tem suas estratégias para não correr perigo. “Ande sempre em grupo e, se ouvir algo inapropriado, denuncie! Também é importante ter consciência de que não é culpa sua”, aconselha ela. E não é mesmo!

Não deixe barato!

Apesar do susto e do trauma, a história das meninas terminou bem. Ufa! E embora a gente não queira de jeito nenhum que algo parecido aconteça com você, o melhor é estar preparada. Para ajudá-la nessa, a Juliana de Faria, criadora do movimento Chega de Fiu Fiu, e as psicólogas Marianna Protázio Romão, especialista em “Mulheres, Gênero e Cidadania”, e Letícia Gonçalves explicam como reagir em cada situação, para colocar de vez os engraçadinhos de plantão em seus devidos lugares – que é longe, bem longe – e, assim, se preservar.

 #1 Cuide da sua segurança

Em algumas situações, é possível responder aos assédios verbalmente, fazendo cara feia ou com outra forma de sinalização (ei, não estamos falando de gestos obscenos, tá?). Essa defesa vale quando o cara joga aquela cantada furada em cima de você em um local bem movimentado, por exemplo. Já quando você está em um lugar meio deserto e alguém resolve se engraçar para o seu lado, o mais indicado é fazer como a Carol: sumir do mapa! Às vezes, infelizmente, a reação da vítima pode levar a outras formas de violência.

#2 Desabafe com alguém

Faça como a Carol e a Manu e abra o seu coração com alguém que entenda a gravidade do que aconteceu e que possa ajudá-la a encontrar formas de lidar com a situação. Assim, você vai se sentir mais segura e forte para reagir.

#3 Denuncie!

Se chegou à conclusão de que é arriscado falar poucas e boas para o cara que resolveu mexer com você – que pode até ser uma pessoa conhecida –, não deixe a história passar batida. Você pode ligar para o 180 – o número que recebe denúncias de violência contra a mulher –, ir à delegacia da mulher ou registrar a ocorrência no local onde o assédio aconteceu, como a empresa responsável pelo transporte público. E, nessas situações, contar com o apoio de um adulto responsável é essencial. A atitude não só evita que você tenha de passar por outras situações chatas, como também ajuda a impedir que o fulano faça outras vítimas por aí.

Cantada X Assédio 

Cantada e assédio são coisas completamente diferentes! A cantada é quando há interesse tanto de quem investe quanto de quem recebe a investida. Todo o resto é assédio! "Em um espaço público, em que as pessoas não se conhecem e não é possível identificar se há interesse mútuo, cantar uma mulher é sempre abusivo e desrespeitoso", afirma a psicóloga Letícia Gonçalves.