Já ouviu uma cantada e ficou vermelha? Ou chegou a se sentir mal por apostar em um look que chamava a atenção? Está na hora de mudar isso! O segredo é fazer o autor da cantada se sentir mal, em vez de você. Sim, tem como!

Especialistas ensinam como reagir a uma cantada 

(Foto: Shutterstock)

Se já é chato ouvir uma cantada vinda de um cara nada a ver, imagina ter de lidar com uma passada de mão ou outras situações pra lá de constrangedoras nessa mesma linha... A Caroline C., 21 anos, do Rio de Janeiro (RJ), passou por isso. No caminho para a escola, ela escolheu um assento no fim do ônibus e ao lado da janela. Distraída, a gata estava olhando a paisagem quando se deu conta de que um homem se sentou ao lado dela mesmo com o ônibus vazio. Estranho, mas ok. O que ela não esperava era a atitude que ele tomaria:

Ele começou a tentar puxar a minha saia. Entrei em desespero!”, lembra. “Como o ônibus estava passando perto de uma vila militar, fingi que o meu celular estava tocando e disse: ‘Pai, estou chegando. Você já saiu do quartel?’. Foi a primeira coisa que pensei”, conta Carol. Amedrontado, o espertinho parou de assediar a garota na hora. Mas a girl, que também não marca bobeira, achou melhor sair dali o mais rápido possível. “Pedi licença e desci no ponto seguinte, mesmo na metade do caminho”, diz. “Depois, comecei a chorar e fiquei me sentindo culpada por ter me sentado no último banco de um ônibus vazio”, desabafa.

 

Tudo tem limite!

Na balada também é possível frear o assédio. A Emanuela S., 19 anos, de Cumbe (SE), está aí para provar isso. A gata estava curtindo a noite quando um cara começou a falar gracinhas para ela e, de repente, meteu a mão onde não devia. “A minha vontade foi cair no choro, mas reagi. Disse que ia chamar a polícia e o cara acabou se desculpando”, lembra a garota que, na época, ficou supermal.

“Algumas pessoas disseram que eu mereci, pois estava com short curto. Mas cheguei à conclusão de que não importa o tamanho da roupa, enquanto houver homens machistas, isso sempre vai acontecer”, afirma Manu. Hoje, a gata não marca bobeira e tem suas estratégias para não correr perigo. “Ande sempre em grupo e, se ouvir algo inapropriado, denuncie! Também é importante ter consciência de que não é culpa sua”, aconselha ela. E não é mesmo!

Não deixe barato!

Apesar do susto e do trauma, a história das meninas terminou bem. Ufa! E embora a gente não queira de jeito nenhum que algo parecido aconteça com você, o melhor é estar preparada. Para ajudá-la nessa, a Juliana de Faria, criadora do movimento Chega de Fiu Fiu, e as psicólogas Marianna Protázio Romão, especialista em “Mulheres, Gênero e Cidadania”, e Letícia Gonçalves explicam como reagir em cada situação, para colocar de vez os engraçadinhos de plantão em seus devidos lugares – que é longe, bem longe – e, assim, se preservar.

 #1 Cuide da sua segurança

Em algumas situações, é possível responder aos assédios verbalmente, fazendo cara feia ou com outra forma de sinalização (ei, não estamos falando de gestos obscenos, tá?). Essa defesa vale quando o cara joga aquela cantada furada em cima de você em um local bem movimentado, por exemplo. Já quando você está em um lugar meio deserto e alguém resolve se engraçar para o seu lado, o mais indicado é fazer como a Carol: sumir do mapa! Às vezes, infelizmente, a reação da vítima pode levar a outras formas de violência.

#2 Desabafe com alguém

Faça como a Carol e a Manu e abra o seu coração com alguém que entenda a gravidade do que aconteceu e que possa ajudá-la a encontrar formas de lidar com a situação. Assim, você vai se sentir mais segura e forte para reagir.

#3 Denuncie!

Se chegou à conclusão de que é arriscado falar poucas e boas para o cara que resolveu mexer com você – que pode até ser uma pessoa conhecida –, não deixe a história passar batida. Você pode ligar para o 180 – o número que recebe denúncias de violência contra a mulher –, ir à delegacia da mulher ou registrar a ocorrência no local onde o assédio aconteceu, como a empresa responsável pelo transporte público. E, nessas situações, contar com o apoio de um adulto responsável é essencial. A atitude não só evita que você tenha de passar por outras situações chatas, como também ajuda a impedir que o fulano faça outras vítimas por aí.

Cantada X Assédio 

Cantada e assédio são coisas completamente diferentes! A cantada é quando há interesse tanto de quem investe quanto de quem recebe a investida. Todo o resto é assédio! "Em um espaço público, em que as pessoas não se conhecem e não é possível identificar se há interesse mútuo, cantar uma mulher é sempre abusivo e desrespeitoso", afirma a psicóloga Letícia Gonçalves.